
WARJA LAVATER - DESENHO COMO ESCRITA COMO DESENHO analisa o singular percurso da artista gráfica e designer Warja Lavater desde sua formação na Kunstgewerbeschule de Zurique, nos anos 1940, e o estúdio de design gráfico que comandou na mesma cidade, junto ao então marido Gottfried Honegger, durante a década seguinte. Ainda que integrante do grupo que formulou as bases da chamada Escola Suíça, de enorme impacto no mundo todo, Lavater se desprendeu do programa extremamente dogmático do movimento sem abandonar por completo seus princípios estruturais. A partir desse desprendimento, consolidado no início dos anos 1960, ela passou a elaborar uma série de livros nos quais criava um conjunto de glifos abstratos e pictográficos e os utilizava como linguagem narrativa. O trabalho de Warja Lavater se tornou mais conhecido pelas Imageries, recriações de tradicionais contos de fada Perrault escritos nesse sistema.

Praticamente restrita à circulação nos segmentos da literatura infantil e do livro de artista, a obra da suíça é com frequência reduzida aos feixes de regras e chaves de leitura destes subsegmentos. “Warja Lavater - Desenho como Escrita como Desenho” busca resgatar seu vínculo com o design e com a sistematização da comunicação, pois é nisso onde de fato se ancora o plano geral de sua obra, já que, em essência, o trabalho de Lavater obedece aos princípios funcionalistas norteadores dos estatutos do design modernista e sua crença ferrenha numa comunicação visual universal e objetiva. Se a abordagem nada ortodoxa da artista suíça pode até turvar essa percepção por conta da extrema liberdade de execução e do desprendimento com relação à cartilha formal do Neue Grafik, isso de modo algum enfraquece o papel medular desses preceitos em sua obra, seja num exame panorâmico sobre o todo, seja na leitura de um título individual.







